segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A Arte De Roubar T04C10

VERDADE

― Eu também tenho uma evidência para acrescentar ao processo, Meritíssimo. – Lívia disse e avançou para entregar os papeis ao juiz. – Esses são recibos de compras de carros. Recebi hoje pela manhã no meu escritório de modo anônimo. Após uma rápida conferência, descobri ser os mesmos veículos usados nos roubos do Shopping Barigui, do Museu Oscar Niemeyer e do Banco Centra. – a advogada concluiu.
― Protesto! Isso não tem relação com o caso. – Rosolen argumentou.
― Claro que tem. – Lívia revidou antes do juiz falar. – Se for verdade, o seu cliente é o ladrão da história.
― Ela tem razão. – o juiz concordou e Rosolen olhou para Barton.
― Isso não é verdade. – Barton disse.
― Então, não vai se importar de olharmos a garagem da sua empresa. – a loira sugeriu e encurralou o empresário.
― De modo algum. – ele disse sem opção.
A audiência foi interrompida até que houvesse a verificação dos carros na garagem do prédio em que ficava a seguradora de Barton. Lívia só pôde ficar torcendo para que Taís e Charger tivessem conseguido executar o plano da morena. Enfim, os guardas enviados pelo juiz voltaram com a confirmação.
― Sr. Barton, a sua situação acabou de ficar bem complicada. – o juiz disse. – Agora, vamos aos testemunhos do réu e da acusação. Primeiro, o réu. – decretou.


Joel foi levado ao banco das testemunhas e em seguida, um guarda foi até ele com uma bíblia na mão.
― Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada além da verdade, em nome de Deus? – o oficial disse.
― Eu juro. – o réu respondeu, sabendo que eventualmente teria de quebrar o juramento.
― A defesa tem a palavra. – o juiz decidiu e Lívia se aproximou de Joel.
― Sobre o que você foi conversar com o Sr. Barton, na noite em que foi preso? – Lívia perguntou a Joel.
― Fui pedir mais tempo para pagar o dinheiro que devo a ele. – o réu respondeu.
― Ele aceitou? Quanto deve? – ela perguntou.
― Devo 20 mil e ele não aceitou. Disse que precisa do dinheiro agora.
― Por que levou uma arma? – a loira quis saber.
― Eu estava desesperado. Ele já estava me cobrando a tempos. Eu só queria assustá-lo. Nunca pretendi atirar. – Joel contou.
― E por que atirou? – Lívia quis saber.
― Porque ele atirou antes. Meu dedo estava no gatilho, quando fui atingido, disparei no reflexo. – explicou o réu.
― Sem mais perguntas, Meritíssimo. – a loira sentou em seu lugar e o promotor se levantou para se aproximar de Joel.
― Bom dia, Sr. Dasco. Como vai? – Rosolen iniciou.
― Já estive melhor. – o réu respondeu.
― Diga, Sr. Dasco, por que não aceitou quando meu cliente lhe ofereceu ajuda para levantar? – o promotor perguntou.
― O cara tinha acabado de atirar em mim. Acho que reagi da maneira mais condizente. – Joel respondeu.
― Certo. E mesmo sabendo das implicações que viriam, o senhor não tentou fugir quando chegou ao térreo. Por que? – Rosolen quis saber.
― Como fugiria? Estava mancando e sangrando, seria pego antes de chegar à esquina. – o réu disse e sorriu ao fim.
― Faz sentido. Agora, vamos falar sobre a sua equipe. Onde ela está agora? – o advogado de acusação disse.
― Não há equipe, achei que tínhamos superado essa parte. Seja quem for que roubou o Sr. Barton, não tem nenhuma ligação comigo. – Joel explicou.
― Preciso lembrar-lhe que está sob juramento? – o promotor disse.
― Preciso lembrar-lhe das evidências? – o réu revidou.
― Sem mais perguntas, Meritíssimo. – Rosolen disse e voltou a seu lugar.
― Sr. Dasco, pode voltar para o seu lugar. – o juiz decretou. – Sr. Barton, dirija ao banco de testemunhas, por favor. – o empresário obedeceu e passou pelo processo de juramento. – A defesa tem a palavra.
― Segundo os autos, o meu cliente chegou ao seu escritório às 18h03. Isso está correto? – a loira perguntou.
― Sim. – Barton respondeu calmamente.
― Segundo a perícia, para roubar os objetos, dinheiro e documentos de todos os andares da sua empresa, uma pessoa levaria pelo menos uma hora. Considerando que o tempo em que as câmeras de tais andares foram alteradas é o mesmo em que o meu cliente estava com o senhor, o que pode ser provado graças ao vídeo que o senhor mesmo forneceu, é possível concluir que seria impossível ao meu cliente roubar seu prédio ao mesmo tempo em que estava em seu escritório. O senhor concorda? – a loira finalizou.
― Sim. – ele disse desconfortável. – Mas tem a equi...
― Quando meu cliente lhe apontou o revólver, o senhor não pareceu abalado. – Lívia aumentou o tom de voz e o interrompeu.
― Eu sabia que ele era um homem perigoso, mas sabia que iria querer me ameaçar antes. – o empresário disse.
― O senhor admite ter pensado que meu cliente não iria atirar? – a loira indagou.
― Sim, quer dizer, não. – Barton se atrapalhou ao responder.
― Vejam, senhores e senhoras. – a advogada se virou para o júri. – Com isso, eu tenho quase certeza que o conceito de legítima defesa vai por água abaixo. – ela se voltou ao empresário. – A ligação à polícia foi feita às 18h07, quatro minutos depois que meu cliente entrou em sua sala e um minuto antes de ele lhe apontar a arma. Como o senhor explica isso? – ela disse mas não o deixou responder. – Não, não, deixa que eu explico. O senhor contratou uma equipe para roubar sua própria empresa e enquanto conversava com o meu cliente, um funcionário seu os observava e ligou para a polícia, pedindo muitas viaturas, pois o prédio estava sendo assaltado. Ou seja, o senhor fez tudo isso para incriminar meu cliente e chegarmos a esse julgamento hoje. – ela concluiu.
― Não foi assim que aconteceu. – ele disse com raiva.
― Então como foi? – ela devolveu com mais ferocidade e se apoiou na bancada em frente a ele, encarando-o.
― Como eu disse à polícia. – ele respondeu ao se ver novamente encurralado pela advogada loira.
― Sem mais perguntas. – ela disse e voltou ao seu lugar, mas falou ao passar pelo promotor. – Bate essa, bonzão. – sorriu e se sentou.

3 comentários :

  1. "Bate essa, gatinha" "Bate essa, bonzão." Hahahahah Ironia (U_u) ajudando a criar tensão desde que o mundo é mundo.

    :P
    ;*

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