quinta-feira, 2 de maio de 2013

Caos Urbano T01C01


PRIMEIRO CASO

A caminho da delegacia para mais um dia de trabalho, a Detetive Raquel Marins ouve uma transmissão no rádio da polícia, enquanto dirige pela BR-277.
― Atenção, todas as unidades! Um corpo foi encontrado no Parque Barigui. – a oficial olhou de relance para o rádio e de volta para a estrada e então se concentrou para prestar atenção no que ouvia. – Oficiais e detetives mais próximos do local, dirijam-se para lá, imediatamente.
Ela sorriu e, sem pensar duas vezes, pegou o aparelho comunicador para avisar a todos.
― Aqui é a Detetive Marins. Estou a cinco minutos do parque, me encaminhando para lá agora mesmo. – ela desligou e então tomou uma postura mais séria e determinada. – Esse caso é meu!
  Ao chegar no estacionamento, a jovem detetive já notou. Três viaturas protegiam a entrada principal para o parque e logo atrás delas, pouco depois do portal de entrada, havia uma ambulância. Ela passou por todos e chegou a um local com uma fita de contenção que rodeava um corpo estendido. Dois policiais protegiam a área.
― O que temos aqui, policiais? – ela perguntou.
― Um corpo sem identificação. Foi encontrado pela mocinha ali, que fazia sua corrida matinal. – ele disse apontando uma mulher que estava sendo atendida na ambulância. – Eu diria que a vítima tem uns 30 anos.
Ela se aproximou do corpo e se agachou. Notou que as calças do cadáver estavam rasgadas e havia hematomas e manchas de sangue por todo o corpo. O rosto estava praticamente irreconhecível.
― Parece que ele foi bastante torturado antes de morrer. Não consigo dizer a causa da morte com todo esse sangue. Onde estão os peritos?
― A caminho. – o policial respondeu.
― O que a mulher que encontrou o corpo disse? – Raquel se levantou e perguntou.
― Ela ia começar a correr quando notou o corpo, mas só ao chegar mais perto viu que estava morto. Ela disse ter ouvido um barulho vindo da mata. – ele disse apontando a grande floresta que rodeava o parque.
― Vocês...
― Meus homens estão vasculhando a área enquanto falamos.
― Ótimo. E, policial, uma última coisa... – ela disse e apontou para o pé da vítima. – Onde está o dedo médio do pé direito da vítima?


― O senhor me chamou, delegado? – perguntou o Detetive Jorge Perez ao entrar na sala do chefe.
― Eu soube que a Detetive Marins pegou o caso de homicídio do Barigui. – disse o delegado enquanto mexia em uma pasta com papéis.
― Sim, senhor, ela pegou.
― Por favor, sente-se, Jorge. – o chefe pediu e, quando o detetive o fez, continuou. – Quero que você acompanhe a Detetive Marins no caso do homicídio.
― Tem certeza, senhor? Pois eu acho que ela está preparada para resolver um homicídio. – o detetive opinou.
― Eu concordo, mas esse não é um caso qualquer. – o delegado retrucou. – Jorge, você já ouviu falar do Detetive Osmar Copi?
― Sim, senhor. O melhor detetive do distrito nos anos 50, 60 e 70. Apenas um caso ficou sem solução.
― Você sabe que caso foi esse?
― De cabeça, agora não me lembro, senhor.
― Veja isso! – o Delegado Rocha empurrou a pasta que estava lendo para o detetive.
― O Assassino Dedos do Pé! – Jorge exclamou surpreso após ler um pouco. – O senhor acha que...
― Ele voltou! Ou algum descendente do assassino original. – o delegado completou. – Quero que você a leve para conhecer o Detetive Copi. Com a experiência dele e a juventude dela, talvez consigamos resolver esse caso de uma vez por todas.
― Sim, senhor. – o Detetive Perez concordou e saiu da sala do delegado. Logo viu a Detetive Marins em sua mesa e foi ao seu encontro. – Oi, Raquel.
― Oi, Jorge. – ela cumprimentou de volta. – Não posso conversar agora, só vim pegar umas coisas, tenho que correr para o laboratório de criminalística.
― Para saber sobre o corpo do Barigui. – ele completou.
― É. Meu primeiro homicídio, não é demais? – ela admitiu animada.
― Sim, demais, tanto que eu gostaria de participar dele, o que acha? – ele sugeriu.
― Acho que você não é mais meu mentor, Jorge. E eu posso resolver esse caso, sozinha. – Raquel recusou e saiu com sua bolsa em direção ao elevador.
― Quem falou em mentor? Eu quero ser seu parceiro, alguém com quem você possa contar. – Jorge explicou, indo atrás dela.
― Sei, você fala isso agora, mas daqui a pouco já vai estar me dizendo o que fazer. – a detetive retrucou.
― Eu só quero te ajudar, tirar suas dúvidas. Vai dizer que você não tem dúvidas? – ele insistiu.
― Agora que você falou... – ela disse. – Tudo bem, eu aceito essa parceria, mas com uma condição. Eu tomarei as decisões, mesmo que você não concorde. – ela decidiu enquanto parava e apertava o botão do elevador.
― Você manda. – ele aceitou enquanto segurava a porta para a moça entrar. – Então, ouvi dizer que o assassino levou um dedo do pé da vítima.
― É, quero ver se os peritos conseguem me falar mais sobre isso. – ela disse enquanto o elevador descia.
― Eu conheço alguém que poderia te falar mais sobre isso.
― É sério? Quem? – Raquel quis saber.

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